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Direitos e Desejos Humanos


COMITÊ CATARINENSE PRÓ-MEMÓRIA DOS MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS * Derlei Catarina De Luca


Histórico

Em agosto de 1979
foi assinada a lei da anistia e vários catarinenses exilados retornaram a Santa Catarina.

De início se encontravam apenas em missas para lembrar os companheiros mortos pela ditadura.

Os sacerdotes hesitavam, mas outros enfrentavam, e em 1980 três sacerdotes concordaram e uma grande missa foi celebrada na Catedral Metropolitana.

O convite foi assinado por vários partidos políticos e entidades civis depois de longas discussões. Juntar partidos políticos diferentes era complicado e em 1982 algumas pessoas assumiram fundar o Comitê Pró Memória que passou a ser coordenado por Derlei Catarina De Luca.
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Histórico do Comitê Catarinense Pró-Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos

20 ANOS! de ANISTIA

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ÉPOCA 158 * Maio/2001

N o t í c i a s

Veja Catarinenses vítimas da ditadura militar
Depoimentos - "É muito tarde para mudar o que aconteceu, mas não é tarde para lembrar aquilo que aconteceu. Não podemos mais mudar, mas podemos e temos a obrigação de lembrar."
Histórico
Catarinenses mortos e desaparecidos


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COMITÊ CATARINENSE
PRÓ-MEMÓRIA DOS MORTOS E
DESAPARECIDOS POLÍTICOS

Derlei Catarina De Luca

http://pagina.de/derlei


"Um dos mais cruéis
exercícios da opressão
é a espoliação
das lembranças."

Eclea Bosi


Recordar os nossos companheiros é uma tarefa presente, porque memória é algo que se forma. Não é espontânea como o riso.

Nossos amigos só deixarão de existir se nós esquecermos que eles existiram.

MORTO – é aquele que tem certidão de óbito e um túmulo.

DESAPARECIDO – é aquele que a repressão não entregou o corpo, nem tem um túmulo
onde se levar uma flor.


MILITANTES DA AÇÃO POPULAR ASSASSINADOS PELA REPRESSÃO



1. Eduardo Collier Filho – PE – 1948 – estudante de Direito

Preso no Rio de Janeiro em 23 de fevereiro de 1974, juntamente com Fernando Santa Cruz por agentes do DOI-CODI/RJ. Desde então está

DESAPARECIDO.



2. Gildo Macedo Lacerda – MG – 1949 - estudante de Economia.
Preso em outubro de 1973 em Salvador, Bahia. Sua morte foi noticiada em novembro do mesmo ano pelos órgãos da repressão. Seu corpo nunca foi devolvido a família.

DESAPARECIDO



3. Helenira Resende de Souza Nazareth – SP – 1944 – estudante de filosofia. Integrou-se ao PC do B e morreu na guerrilha do Araguaia.

DESAPARECIDA



4. Honestino Monteiro Guimarães – GO – 1947 – estudante de Geologia. Presidente da UNE. Foi preso no Rio de Janeiro em 10 de outubro de 1973. Esteve detido no CENIMAR de onde nunca mais foi visto.

DESAPARECIDO



5. Humberto Albuquerque Câmara Neto – PB – 1947 – estudante de Medicina. Pertenceu ao DCE da UFPE e a diretoria da UNE. Foi preso em 8 de outubro de 1973 no Rio de Janeiro.

DESAPARECIDO



6. João Batista Santos Drummond – MG – 1942 – economista - Foi dirigente estudantil, dirigente da AP, integrando-se ao PC do B, do qual foi dirigente. Assassinado no episódio conhecido como "Massacre da Lapa".



7. Jorge Leal Gonçalves Pereira – 1938 – BA – engenheiro eletricista da Petrobrás. Sequestrado em 20 de outubro de 1970 no Rio de Janeiro sendo visto por Cecília Coimbra no DOI-CODI.

DESAPARECIDO.



8. José Carlos Novaes de Mata Machado – RJ- 1946 – estudante de Direito. Líder estudantil, vice presidente da UNE, dirigente da AP.
Seu assassinato foi testemunhado por Fernanda Gomes de Matos e Melânia Almeida Carvalho, na madrugada
de 28 de setembro de 1973.
O corpo foi entregue a família em 15 de novembro em caixão lacrado.
Sobre o Mata Machado existe:
um livro – "Zé", de Samarone Lima,
Belo Horizonte: Mazza Edições Ltda, 1998



9. Luis Hirata – SP – 1944 – estudante de Agronomia. Foi torturado até a morte em 20 de dezembro de 1971 pela equipe do delegado Sérgio Fleury do DEOPS/SP.


10. Paulo Stuart Wright – SC – 1933
Sociólogo, deputado estadual, dirigente da AP, desapareceu em 5 de setembro de 1973.

Sobre Paulo existe:

um curta metragem, estrelado por Antônio Fagundes, chamado "PSW".
um livro – "O Coronel tem um segredo,
Paulo Wright não está em Cuba"
, de Delora Wright, Petrópoliz: Vozes, 1993
uma tese: "Personnas: gradações e sujeitos do discurso político-religioso no Estado autoritário pós-64", de MarciaE.Aquino



11. Raimundo Eduardo da Silva –MG- operário metalúrgico de Mauá SP. Estava internado na casa de Saúde SAMCIL , SP, de onde foi retirado a força por policiais no dia 22 de dezembro de 1970. Torturado no DOI-CODI morreu em 06 de janeiro de 1971.

12. Rui Frazão Soares- MA – 1941 – desaparecido em 27 maio de 1974 - trabalhou no MEB – Movimento de Educação de base no Pindaré Mirim - MA. Área de conflito de terra. Integrou-se ao PC do B e em 1974 foi preso na feira de Petrolina e jogado no porta mala de uma camioneta. Desde então encontra-se

DESAPARECIDO.




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início: 12/7/99
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1968

"O primeiro ano de nossas vidas começou em abril, com o assassinato de Edson Luís no restaurante Calabouço no Rio. Em maio os metalúrgicos tomaram as fábricas em Osasco. Foi o primeiro de maio mais memorável do Brasil. Operários, estudantes, camponeses e intelectuais estavam juntos nas ruas.
Luís Travassos, José Ibraim e Manoel da Conceição passam a ser mitos entre os militantes de esquerda. No Rio, Jean Marc e Wladimir Palmeira colocam cem mil pessoas nas ruas em passeatas, com apoio popular (...) As ruas eram nossas e pretendíamos conquistar todo o Brasil."
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Memórias de 68

Participe! da Campanha de Abertura dos Arquivos das Forças Armadas, Polícia Federal e do SNI

São de domínio público e conhecimento histórico, os assassinatos e desaparecimentos de centenas de brasileiros durante o período da ditadura militar (1964-1984).
É de domínio público também a luta dos familiares, companheiros e amigos em recuperar a memória e os corpos destes brasileiros.
Em 1995 foi aprovada pelo Congresso Nacional a Lei 9140/95 que criou a Comissão Especial para analisar os casos apresentados. Em dois anos de trabalho, esta Comissão analisou 497 processos e considerou que a grande maioria das mortes era realmente responsabilidade do estado provocada por motivação política.
Dos processos analisados 33 foram indeferidos. Na sua maioria, mortes ocorridas na rua, como foi o caso do catarinense Arno Preis.
A etapa atual dos trabalhos da Comissão Especial reveste-se de importância maior, pois trata-se da localização dos corpos dos militantes assassinados e do esclarecimento das circunstâncias de seus desaparecimentos.
Consideramos importante este trabalho pelo esclarecimento da verdade histórica, pois muitas versões oficiais da DITADURA como mortes em tiroteios, atropelamentos e mesmo suicídios foram demonstradas serem falsas. Para atingir seus objetivos a Comissão, que se encontra parada, deve contar com o empenho do Governo Federal na questão orçamentaria, técnico-científica e, particularmente, na disposição política em abrir os ARQUIVOS DAS FORÇAS ARMADAS,POLÍCIA FEDERAL, e do antigo S N I (Serviço Nacional de Informações). Somente tais arquivos poderão fornecer as respostas sobre a localização dos restos mortais que procuramos a mais de vinte anos.
UMA NAÇÃO SÓ SE TORNA GRANDE SE RECONHECE AS SUAS FERIDAS E TRATA DE CURÁ-LAS.
Uma democracia madura não pode ter medo da verdade. Volta e meia abre-se uma fresta do porão e algum esqueleto aparece. Por quê o exército Brasileiro não pode abrir seus arquivos?
Os Estados Unidos – nação que o exército brasileiro tanto admira, abre seus arquivos depois de um prazo determinado. Em 1995, pediu desculpas públicas pela Guerra do Vietnã, reconhecendo o erro. Na Argentina os militares reconheceram os assassinatos. A Alemanha, mesmo após 55 anos da Segunda Guerra Mundial, continua buscando a verdade sobre os desatinos de Hitler. A Suiça pediu desculpas públicas aos judeus a busca seus descendentes para devolver lhes o dinheiro guardado desde então.
Até o PAPA e a Igreja Católica têm a grandeza de reconhecerem seus erros, retirando a excomunhão de Galileu e de Copérnico.
Na África do Sul, a Comissão de Reconciliação Nacional interrogou inclusive a ex esposa de Nelson Mandela.
Nos EUA o próprio Presidente foi investigado. PORQUE O EXÉRCITO BRASILEIRO NÃO PODE ABRIR SEUS ARQUIVOS? PORQUE O EXÉRCITO BRASILEIRO NÃO PUNIU OS RESPONSÁVEIS PELAS MORTES?
Aqui, em nosso país, o Poder Executivo é investigado e punido. O Poder Legislativo é investigado e não tem medo de cortar a própria carne.
POR QUE O EXÉRCITO BRASILEIRO É INTOCÁVEL? A ÚNICA LUTA QUE SE PERDE É A QUE SE ABANDONA.
POR UMA PÁTRIA DA QUAL TENHAMOS ORGULHO.

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Marcia E.Aquino


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Personnas: gradações e sujeitos do discurso político-religioso no Estado autoritário pós-64